Dia do automóvel: disrupção, cavalos e mobilidade

Daniel Schnaider é CEO da Pointer by Powerfleet Brasi

Para falar sobre o Dia do automóvel e da Estrada de Rodagem, data instituída no Brasil, por Getúlio Vargas em 13 de maio de 1934, acho importante voltarmos a nossa atenção para a história do carro. Apesar de muitas controvérsias sobre a origem da ideia para a solenidade, alguns acreditam que surgiu para impulsionar a urbanização no país e prestar tributo à primeira estrada pavimentada e sinalizada do País, a Washington Luís, inaugurada em 13 de maio de 1926, que vai do Rio de Janeiro até Petrópolis. Outros consideram outra versão, a de que seria uma homenagem à Bertha Benz, esposa de Karl Benz, um dos responsáveis pelo primeiro veículo motorizado do mundo, Benz Patent Motorwagen, de 1885.
A verdade é que qualquer uma delas nos levará a um fim: o carro. Objeto de desejo de milhões de pessoas e representatividade de sonhos de liberdade, independência e status, o automóvel foi por centenas de anos uma conquista extraordinária, mas que vive agora, 87 anos depois da criação de sua celebração no Brasil, uma derrocada, pelo fato dos jovens simplesmente não estarem se interessando mais por esse poder atualmente. E por que?
O autor e economista, Tony Seba, em uma de suas apresentações de 2018, exemplificou claramente como foi a disrupção dos veículos no mundo, que invariavelmente nos remete ao momento atual; transporte limpo. Seba usou uma fotografia da Parada da Páscoa, em Nova York, em 1900, para demonstrar que os cavalos eram nosso principal meio de transporte até então, já que havia apenas um carro na foto. Para ilustrar a ruptura tecnológica que vivenciamos, usou a imagem da mesma cidade treze anos depois, em que era possível se ver apenas um cavalo e muitos veículos. O mundo havia mudado por completo e continuaria assim.
O estudo feito por Tony e James Arbib em 2017, “Rethinking Transportation 2020-2030”, destaca que os veículos elétricos e modelos autônomos sob demanda dominarão todo o mercado em menos de 10 anos. Ainda, segundo o relatório, as mudanças causarão sérios prejuízos aos países que dependem da commodity de indústrias petrolíferas. Se a previsão está correta, eu não saberia dizer, mas que o comportamento relacionado aos meios de transporte e aos carros, principalmente, mudaram. É um fato! Também devemos considerar que o Covid-19 trouxe impactos substanciais a qualquer estudo e cultura pré-pandemia.
O isolamento, crise econômica e constantes preocupações com o meio ambiente certamente fizeram com que o ponto de inflexão da disrupção da mobilidade fosse atingido com mais rapidez e eficiência. O mercado, os modelos de negócios e as indústrias começaram sua adaptação ao novo motorista, aquele que como bem pontuou Herbert Diess, presidente do conselho de administração do Grupo Volkswagen, “não necessariamente deseja a propriedade, mas quer um carro quando precisa de um”.
Ou seja, passamos da era de sonhar em dirigir a Ferrari 250 GT Spyder California, do clássico de 1980, Curtindo a Vida Adoidado, para carros elétricos, autônomos e compartilhados.
Mas tudo bem, enquanto a evolução da mobilidade não chega para todos, – porque convenhamos os planos não foram desenhados à toda população periférica e o transporte público de qualidade continua uma utopia – a expectativa é de que você tenha a corrida dos sonhos! Por aplicativo terá a Ferrari 250 GT autônoma à disposição.


Daniel Schnaider é CEO da Pointer by Powerfleet Brasil, líder mundial em soluções de IoT para redução de custo, prevenção de acidentes e roubos em frotas. Integrou a Unidade Global de Tecnologia da IBM e a 8200 unidade de Inteligência Israelense. Especialista em logística, tecnologias disruptivas, economista e autor da obra “Pense com calma, aja rápido”.

Caroline Arnold

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