Web semântica: o que isso tem a ver comigo?

“Os homens criam as ferramentas. As ferramentas recriam os homens.”
Analisando a frase do educador e filósofo canadense Marshall McLuhan, escrita em 1995, primórdios da internet no Brasil e em boa parte do mundo, conseguimos decifrar o que acontece hoje em dia com o comportamento das pessoas na grande rede.
Quando comparamos a internet com outros veículos, percebemos a ascensão meteórica da web. O rádio, por exemplo, levou 38 anos para ser difundido massivamente; a TV, 13 anos; e a internet, apenas 4 anos, ocupando hoje o primeiro lugar entre os meios de comunicação mais utilizados no mundo, seja por meio dos aplicativos de chats, redes sociais, seja pelos ainda resistentes e-mails.
No início da utilização da internet nos satisfazíamos apenas com pesquisas simplistas, sem nenhuma possibilidade de interação. Hoje o jogo é outro. Pesquisamos, criamos, complementamos, subvertemos e compartilhamos conteúdos o tempo todo, independentemente de sua natureza. Vide os muitos canais do YouTube que são sucesso em número de acessos, ou nos milhares memes que circulam numa velocidade espantosa diariamente.
Nesse novo ambiente, as interações com os usuários são necessárias e, de acordo com o comportamento deles, podem determinar a cada segundo quais são seus interesses e o que estão buscando e precisando hoje, ou ainda, baseando-se em suas buscas, podem influenciar tendências. As empresas automobilísticas, as ligadas ao turismo e muitas outras são especialistas nisso, pois a dinâmica capitalista sempre esteve na vanguarda dessas transformações e invariavelmente ditou as tendências e regras de geração de negócios dentro da rede. Hoje, tudo que uma pessoa pesquisa ou compartilha conta algo sobre ela para milhares de anunciantes diariamente. Tenho certeza que, ao acessar redes sociais, você já foi surpreendido com algum anúncio de seu interesse atual. Estou certo?
Pois bem, essa é a nova versão da rede. Bem-vindos à web 3.0, a internet semântica.
Enquanto a web 1.0 era estática e depositária e a 2.0 apresentava possibilidades limitadas de compartilhamento, por meio de blogs ou conteúdos em forma de páginas html, a terceira geração baseia-se na interação, na mediação tecnológica no processo de apropriação. A ideia, enfim, seja ela qual for, pode ganhar forma, seguidores, apreciadores, apoiadores e, o principal, financiadores.
Pensando em educação e avanços tecnológicos, os desafios para professores e instituições são sempre revisitar suas práticas pedagógicas, seus modelos, suas convicções e auxiliar o aluno a se transformar num estudante autônomo, responsável, que saiba extrair o que a rede disponibiliza de melhor.
Avançando nessa reflexão sobre o fazer educacional, podemos ressignificar espaços, metodologias, materiais didáticos e, especialmente, a forma de interação com nossos alunos, aproveitando muito bem esse novo mundo exponencial e líquido.

João Carlos Goia é gerente do Senac Piracicaba, jornalista pós-graduado em criação de imagem e sons em mídias digitais e mestre em educação.