Trabalhadores de Piracicaba participaram do #OcupaBrasília contra reformas e endossaram o pedido de #ForaTemer

Felipe Poleti
Especial para o Pirainfo

Mais uma vez um ato público em favor da população e do trabalhador brasileiro terminou em ataques injustificados de black blocks à polícia e o revide em força desproporcional das forças de segurança da capital federal contra todos que ocupavam a cidade durante manifestação promovida pelas centrais sindicais de todo o Brasil e que são contra as reformas trabalhista e previdenciária em discussão no congresso e senado, além de engrossarem o pedido de impeachment do presidente Michel Temer (PMDB) e a convocação de novas eleições, intitulada como a “Nova Diretas Já!”.

Presente ao ato na capital federal, a reportagem do pirainfo.com.br acompanhou mais de 200 piracicabanos que representaram mais de 30 categorias trabalhistas-sindicais da região. Os números oficiais da polícia Federal é de que aproximadamente 45 mil pessoas estava presentes no ato enquanto a Central Única dos Trabalhadores estimou mais de 150 mil trabalhadores. “Devido a grande movimentação de pessoas e por ter participado na cobertura do evento, acredito que mais de 100 mil pessoas estavam em Brasília para esta manifestação”, frisou Gerson Thomazini, repórter e idealizador do site pirainfo.

Conforme seu relata Thomazini, desde o início a manifestação era pacífica e respeitava todas as regras sugeridas pelas forças de segurança da Capital Federal. “Tudo transcorreu com normalidade desde a concentração em frente ao Estadio Mané Garrincha até a chegada ao frente do Planalto. Tinha sindicalistas de todo o Brasil. Gente que estava desde sábado, 20, na estrada e que deve chegar a sua cidade de origem no próximo domingo, 28. A caminhada seguiu com carros de som até as barreiras policiais e a todo momento eles explicavam que tinham um acordo com a polícia para a permissão da passagem da manifestação”, explicou.

No entanto, ao chegar próximo a esplanada dos ministérios, uma multidão de policiais já esperavam os manifestantes e, como contou “parecia que ia acontecer uma guerra”. “Tinha barreiras policiais por todos os lados, gradis demarcando até onde poderia seguir o ato. Nós da imprensa ficamos alocados numa primeira barreira policial. Tudo corria bem, mas percebemos um grande grupo de jovens mascarados que não estavam vinculados ao sindicato atirando pedras e garrafas de água contra os policiais, do nada”, completou.

Ao cair da tarde a situação ficou mais preocupante. “O tumulto ficou generalizado onde os policiais só se defendiam dos paus, pedras, garrafas, canos de bandeiras, placas de sinalização de transito que eram atirados contra eles. Não revidavam. Em um dado momento, as forças de segurança começaram a revidar e espalhar os baderneiros, porém, a tensão do momento fez com que muitos policiais agissem de forma enérgica de mais e a confusão generalizou de vez, como foi visto na mídia mundo afora. Não foi fácil para nós da imprensa também, sofri para escapar do tumulto e com o gás de pimenta disparado pela polícia”, concluiu.

NOVA GREVE GERAL
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, afirmou que as centrais sindicais devem se reunir ainda nesta semana para deliberar uma nova greve geral para daqui a 15 ou 20 dias e que deverá ser ampliada de 24 para 48 horas. Segundo o deputado, a paralisação será em função do avanço da reforma trabalhista no Senado, e não da permanência ou não de Michel Temer na Presidência da República. “Temos que aumentar a pressão porque nós estamos fora da discussão. Aqui trabalhador não apita”, comentou.

SINDICALISTAS PIRACICABANOS
Presente no ato, Fânio Gomes, presidente do Sindicato da Alimentação de Piracicaba e Região, afirmou que o ato público, apesar da confusão, foi positivo. “É mais um trabalho realizado com eficácia e que reuniu muito mais pessoas que o esperado. Nós aguardávamos cerca de 70 mil pessoas e vimos mais de 150 mil trabalhadores lutando por um Brasil melhor”, declarou. “A confusão que aconteceu não partiu por parte dos sindicatos como muitos estão dizendo e o governo tem afirmado. É preciso apurar todos os fatos e punir os culpados”, completou. Ainda, conforme contou Fânio, a próxima semana será o momento de analisar a necessidade de uma nova greve geral. “Acreditamos que os deputados e senadores entenderam o nosso recado e vão mudar o curso da votação das reformas, caso isso não aconteça, vamos sim parar geral e de forma maior, não só pelo tempo de duração, mas pelo grande número de pessoas que devem participar”, disse.

Ângela Ulices Savian, vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e região (SindBan), destacou que a participação de sindicalistas da cidade no ato em Brasília mostra a importância da atuação sindical em prol aos trabalhadores. “Somos contra as reformas e ao governo golpista que está hoje no poder. A policia afirma que não mas estive lá e garanto que mais de 150 mil trabalhadores participaram da manifestação e, por repressão das forças policiais, conseguiram por mudar o foco do ato. Independente disso, vamos continuar na luta para barrar essas reformas e endossar cada vez mais o hino de #ForaTemer”, disparou.

Wagner da Silveira, Juca, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região, afirmou que a categoria vai lutar pelo direito de todos. “O país precisa voltar a crescer, com geração de empregos e direitos garantidos”, destacou. Já o presidente do Sindicato da Construção Civil (Simticompi), Milton Costa, disse: “Toda ação tem uma reação e a atual forma de governar o país tem trazido insatisfação a população, principalmente para a classe trabalhadora. A participação em massa em atos como este mostra-se positiva, pois traz o empenho do cidadão em prol do bem comum. Somos contra os atos de vandalismo que ocorreu da mesma forma que somos contra esse descaso que o governo federal vem tratando o povo. É preciso se resolver isso logo para o Brasil voltar a crescer”, concluiu.

A DESTRUIÇÃO
Na quinta-feira, 25, ao longo do trajeto por onde passou a manifestação, o cenário era de final de guerra. Muita sujeira pelo chão, vidraças e paradas de ônibus quebrados, bicicletas e banheiros químicos depredados. Além disso, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou, com urgência, um levantamento dos prejuízos a órgãos públicos após quebra-quebra “podem ser responsabilizados os organizadores do ato e demais agentes identificados pela polícia. O processo será aberto após o recebimento de informações dos órgãos que tiveram suas instalações danificadas. Até o momento, apenas dois ministérios divulgaram informações sobre os prejuízos”, informou a assessoria da AGU.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Paz Social, 49 pessoas feridas receberam atendimento médico, sendo oito policiais. O Corpo de Bombeiros atendeu um manifestante com ferimento à bala. Oito manifestantes foram presos.

PREJUÍZOS
O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão já concluiu a verificação dos danos causados aos prédios ocupados pela pasta. Ao todo, foram estimados mais de R$ 330 mil em prejuízo, desse total, R$ 140 mil por danos ao mobiliário e R$ 55 mil por avarias em computadores. Em nota, o Ministério do Planejamento informou que aguarda “os resultados das perícias que estão sendo realizadas por órgãos especializados para calcular o total de gastos com que a União terá de arcar para os reparos”. O prédio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento já passou por perícias da Defesa Civil, da Polícia Federal e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal e, segundo a pasta, os prejuízos com a depredação chegam a R$ 1,105 milhão.