PF pede 600 delegados, mas Governo só dá 50

Hoje, faltam quase 600 delegados na instituição, 2.000 agentes e 800 escrivães. São números que merecem atenção, pois a PF atende a todo o território nacional nas mais diversas tarefas de polícia judiciária, lidando com um nítido aumento do numero de investigações e ampliação da prestação de serviços em atividades estratégicas para a segurança pública, como o controle migratório, de armas, segurança privada, produtos químicos, pornografia infantil, entre outras.

Para agravar ainda mais o cenário, há uma série de vacâncias previstas decorrentes de aposentadorias. A própria ADPF já alertou que, até o final do ano que vem, 400 delegados deverão se aposentar. E a reposição não será realizada como deveria.

Há decreto (Nº 8.326 de 13 de outubro de 2014) que determina a abertura de concurso público para a PF sempre que a quantidade de vagas em aberto superar 5% do total existente para um determinado cargo. Mas essa abertura depende da confirmação do Ministério do Planejamento da existência de verba para a sua realização. E, agora, somente 50 vagas para delegado foram autorizadas.

“Autorizar 50 vagas para delegado sabendo que o déficit é de cerca de 600 demonstra, no mínimo, um descaso para com o trabalho da PF, sobretudo, na área investigativa. Isso simplesmente trava o nosso trabalho já que, sem delegado, não é possível dar um bom andamento aos inquéritos policiais e às outras missões que a própria PF desempenha no país inteiro”, afirma a delegada Tania Fernanda Prado Pereira, diretora da ADPF-SP.

Ao longo dos anos, o número de delegados federais diminuiu. Em 2009, por exemplo, havia 1.852 delegados. Em 2013, 1.708 e, no início de 2017, 1.614.

A quem interessa uma Polícia Federal com número insuficiente de delegados? São eles que presidem as investigações em andamento em todo território nacional. Portanto a não reposição dos cargos vagos afeta diretamente, por exemplo, o combate ao crime organizado.

Adriano Moneta Assessoria de Comunicação