Construção Civil: informalidade cresce 30% e contratação cai 68% em 12 meses

Texto de Felipe Poleti
Fotos de Gerson Thomazini

Após constatar relevante desaceleração nas construções de empreendimentos verticais na cidade, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Piracicaba e Região (Sinticompi) descobriu um aumento de 30% na informalidade e redução de 68% na contratação de mão de obra. Segundo o presidente do sindicato, Milton Costa, esta é uma situação muito preocupante já que hoje as empreiteiras estão com dificuldades de manter os prazos das obras em dia e também pagar funcionários. “Estes foram os principais motivos para iniciarmos este levantamento. Até dia 30 de maio, catalogamos 30 empreendimentos só em Piracicaba. Na região, acreditamos que existam mais de cem. Destes já catalogados constatamos 636 empregos diretos e terceirizados, além de 70 terceirizadas envolvidas nestas obras. Para se ter uma ideia, em 2012, em obras similares teríamos dois mil trabalhadores empregados”, destacou.

A preocupação, como explica Costa, está no crescimento de pessoas que compraram imóveis na planta devolvendo os apartamentos comprados por não conseguir mais pagar o parcelamento da dívida. “Em 2012, vivemos o boom imobiliário na cidade com muitos empreendimentos e todos com venda total ou de até 80% na semana de seu lançamento. No entanto, no final de 2015, muitos começaram a sentir a dificuldade em pagar o financiamento dos imóveis devido a crise econômica e a queda da renda do trabalhador. Recentemente, percebemos que as empreiteiras e construtoras estão com dificuldades em manter suas obras em dia e a explicação é fácil. Se quem comprou, devolveu, o responsável pelo empreendimento teve que reembolsar até 90% do valor pago. É aí que vem a problemática e deixando todos preocupados”, inteirou.

Apesar deste panorama de preocupação, com o levantamento, o Sinticompi pretende elaborar ações para contornar o problema. “Até o final do mês com todo o levantamento pronto, vamos conversar com o Ministério do Trabalho, Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Piracicaba (Cerest) e empreiteiras e traçar caminhos para um futuro próximo”, completou Costa.

De acordo com o sindicalista, já está previsto a construção de até três mil casas populares pela prefeitura, o que deve dar um “up” no setor. “Vai ajudar a amenizar a situação. Em 2018, se a prefeitura conseguir dar este start já temos trabalho integrado com a Secretaria de Trabalho e Renda em ação para suprir as necessidades e recuperar empregos. Além disso, acreditamos que empreendimentos que foram ‘segurados’ por empresários nos últimos dois ou três anos devam sair do papel, ou seja, deva fomentar o setor. Lembrando que tudo isso dependerá da recuperação da economia brasileira”, disparou Costa.

PROBLEMAS
Além disso, o Sindicato também procura melhorar a fiscalização no setor. “As denúncias cresceram e a partir disso que surgiu o levantamento que estamos fazendo. É preocupante como ainda vemos irregularidades nos canteiros de obras, por isso temos que integrar e ampliar a fiscalização com apoio do Cerest e do Ministério do Trabalho”, apontou Milton Costa.

TRABALHADOR
Mesmo diante deste cenário de crise e dificuldade no setor, o presidente do Sinticompi afirma que o trabalhador não perdeu seus direitos. “Fechamos os acordos de reajustes salariais na categoria da construção civil em 4,5%; das olarias em 4,8%; de pinturas, gesso e decorações em 4,5%; produtos de cimento em 5%, todas com índice superior a inflação do período que foi de 3,9%. Estamos finalizando a negociação junto as categorias de móveis, instalações elétricas, hidráulicas, gás e sanitárias e iniciando as discussões nas categorias de serraria e carpintaria (junho) e no de mármores e granitos (outubro)”, afirmou Costa.
Na região de atuação do Sinticompi, existem cerca de 20 mil trabalhadores na construção civil e suas respectivas categorias nas cidades de Piracicaba, Anhembi, Águas de São Pedro, Charqueada, Iracemápolis, Ipeúna, Rio das Pedras, Santa Maria da Serra, Saltinho, São Pedro e Torrinha.